Endividados de risco somam 20,3 milhões, e BC prevê crédito mais restrito para empresas
O Relatório de Estabilidade Financeira de 27/10 conta 20,3 milhões de endividados de risco em junho de 2026, 75% a mais que em 2021. O crédito desacelerou para pequenas e médias empresas, e os bancos indicam oferta mais restrita no segundo semestre. O BC estuda novas medidas.
28/10/2026, 00:18 · 3 min de leitura
O Relatório de Estabilidade Financeira de 27/10 conta 20,3 milhões de endividados de risco em junho de 2026, 75% a mais que em 2021. O crédito desacelerou para pequenas e médias empresas, e os bancos indicam oferta mais restrita no segundo semestre. O BC estuda novas medidas.
O que o relatório mostra
O endividamento de risco atingiu 20,3 milhões de pessoas em junho de 2026, o equivalente a 17% dos devedores do sistema financeiro e 75% a mais do que em junho de 2021.
O dado está no Relatório de Estabilidade Financeira do primeiro semestre, divulgado pelo Banco Central em 27/10.
O BC classifica como endividado de risco quem atende a pelo menos dois destes critérios:
- atraso de mais de 90 dias em parcelas de crédito;
- mais de 50% da renda mensal comprometida com dívidas;
- uso ao mesmo tempo de cheque especial, crédito pessoal sem consignação e rotativo;
- renda que sobra, depois das dívidas, abaixo da linha de pobreza.
O comprometimento de renda das famílias chegou ao maior nível em 21 anos. Os ativos problemáticos no crédito às famílias, que somam atrasos e operações com sinal de dificuldade de pagamento, estão no maior nível desde 2012 na maioria das modalidades.
Entre quem ganha até dois salários mínimos, grupo de 61,2 milhões de pessoas, as dívidas tomavam 42% da renda em junho, segundo a Agência Brasil.
Na prática
- 23/10/2026BC publica regras de oferta de crédito
- 27/10/2026Relatório de Estabilidade Financeira
- 04/11/2026Copom decide a Selic
- Até dez/2026Novas medidas, segundo Galípolo
- 31/03/2027Bloqueio de ofertas de crédito em vigor
- Jul/2027Painel de dívidas e limite de oferta de crédito no Pix
O lado das empresas
O relatório registra que o crédito bancário desacelerou para micro, pequenas e médias empresas no semestre. Nesse porte, programas como o Pronampe e o PEAC-FGI seguem com parcela relevante das novas contratações.
Aumentou o número de empresas com lucro líquido menor e despesa financeira maior. A probabilidade de inadimplência segue elevada em todos os portes, sobretudo entre micro, pequenas e médias empresas.
A pesquisa trimestral do BC com os bancos indica crédito ainda mais restritivo para empresas e famílias no segundo semestre de 2026.
Mesmo assim, o BC diz não ver risco relevante para a estabilidade financeira. Os bancos têm capital e liquidez confortáveis, e 73% das instituições ouvidas se dizem muito ou totalmente confiantes no sistema, segundo o relatório e a Agência Brasil.
Medidas em estudo
O BC estuda medidas macroprudenciais para os segmentos de crédito de maior risco.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que a instituição pretende anunciar novas medidas ainda este ano, com foco em quem já usa o rotativo do cartão ou tem atrasos relevantes, segundo a Agência Brasil.
Elas se somam às regras de 23/10: o bloqueio de ofertas de crédito vale a partir de 31/03/2027, e o painel de dívidas e o limite à oferta de empréstimo durante transações no Pix, a partir de julho de 2027.
O que fazer agora
- Lojista que vende no crediário ou a prazo: rever o limite de clientes com atraso e acompanhar a inadimplência da carteira todo mês.
- Empresa que vai pedir crédito: levar balanço, fluxo de caixa e garantias organizados, porque os bancos indicam análise mais restrita até o fim do ano.
- Micro e pequena empresa: consultar as linhas do Pronampe e do PEAC-FGI, que seguem com peso nas novas contratações do porte.
- Contadores: olhar a despesa financeira dos clientes junto com o lucro e acompanhar o Copom de 4/11.
Fontes
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- 28/10/2026 00:18
- Publicação.

Marcelo Freitas
Marcelo Freitas é entusiasta da tecnologia, fundador da agência SAL Estratégias de Marketing e trabalha com marketing e tecnologia há mais de 10 anos.


