Pular para o conteúdo

Selic em 2027: o que o mercado projeta e o efeito no crédito da empresa

Marcelo Freitas, editor
05/11/2026, 13:54 · 5 min de leitura
Barras de vidro fosco em escada descendente com uma barra amarela e uma curva de luz, ilustrando a projeção da Selic em 2027
Imagem ilustrativa gerada por IA.
Em resumo

O mercado projeta Selic de 12,50% ao ano no fim de 2027, segundo o Focus de 30/10/2026. A taxa está em 13,75% desde a decisão do Copom de 4 de novembro, e o comitê tem oito reuniões em 2027. Em R$ 100 mil de dívida atrelada à Selic, a diferença entre as duas taxas é de R$ 1.250 por ano.

A projeção para a Selic 2027 é de 12,50% ao ano no fim do período, segundo a mediana de 143 instituições no Boletim Focus do Banco Central (levantamento de 30/10/2026). Hoje a taxa está em 13,75%, mantida pelo Copom em 4 de novembro.

O Copom tem oito reuniões marcadas em 2027, a primeira em 26 e 27 de janeiro. A diferença de 1,25 ponto percentual entre a taxa de hoje e a projeção vale R$ 1.250 por ano em cada R$ 100 mil de dívida atrelada à Selic.

Qual é a projeção do mercado para a Selic em 2027?

O Focus reúne as projeções de bancos, gestoras e consultorias e publica a mediana de cada ano. No levantamento de 30/10/2026, a mediana para o fim de 2027 ficou em 12,50% ao ano, com mínimo de 9,75% e máximo de 15,00%.

Fim do anoMedianaMínimoMáximoRespondentes
202613,50%13,00%14,00%143
202712,50%9,75%15,00%143
202811,00%9,00%14,75%125
Fonte: Banco Central, Expectativas de Mercado (Focus), levantamento de 30/10/2026.

A distância entre o mínimo e o máximo de 2027 é de 5,25 pontos percentuais. As instituições discordam sobre o ritmo de queda, e a mediana muda de semana a semana: a de 2027 estava em 11,75% em 23/10 e subiu para 12,50% em 30/10.

A mediana de 2026 (13,50%) foi coletada antes da decisão do Copom de 4 de novembro, que manteve a taxa em 13,75%.

Em quanto está a Selic hoje?

A meta da Selic está em 13,75% ao ano. O Copom manteve a taxa em 4 de novembro de 2026, com os sete membros votando pela manutenção, conforme o comunicado do Banco Central.

A decisão interrompeu cinco cortes seguidos, de março a setembro, segundo a série de meta da Selic do Banco Central (veja a cobertura).

O comunicado cita o prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, o petróleo mais caro e a política monetária mais restritiva nas economias avançadas.

Segundo o texto, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes aceleraram e estão acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta.

Indicador20262027
IPCA projetado pelo Copom5,6%4,7%
IPCA esperado no Focus (30/10/2026)5,2%4,8%
Fontes: comunicado do Copom de 04/11/2026 e Banco Central, Expectativas de Mercado (Focus). Projeção do Copom para o 2º trimestre de 2028: 3,5%.

Qual é o calendário do Copom em 2027?

O Banco Central divulgou em 23/06/2026 as oito reuniões ordinárias do próximo ano, conforme o Rankia. A decisão sai no segundo dia de cada reunião.

ReuniãoDatasDecisão sai em
1ª26 e 27 de janeiro27 de janeiro
2ª16 e 17 de março17 de março
3ª27 e 28 de abril28 de abril
4ª15 e 16 de junho16 de junho
5ª3 e 4 de agosto4 de agosto
6ª21 e 22 de setembro22 de setembro
7ª26 e 27 de outubro27 de outubro
8ª7 e 8 de dezembro8 de dezembro
Fonte: calendário do Copom para 2027, divulgado pelo Banco Central em 23/06/2026 (reportado pelo Rankia e pelo EuQueroInvestir).

Antes disso, falta a reunião de 8 e 9 de dezembro de 2026, a última do ano. O acompanhamento da taxa e das datas fica na página Selic e Copom.

Como a Selic de 2027 afeta o crédito da empresa?

A Selic é a base do custo do dinheiro no país. Capital de giro, desconto de recebíveis e financiamentos com taxa pós-fixada acompanham o movimento da taxa; o banco soma o spread dele por cima.

Veja a conta só da parte da Selic. Uma dívida de R$ 100.000 atrelada à taxa de 13,75% ao ano gera R$ 13.750 de juros em 12 meses (100.000 × 0,1375).

Com a Selic em 12,50%, são R$ 12.500 (100.000 × 0,125). A diferença é de R$ 1.250 por ano, antes do spread e sem considerar a capitalização mensal.

A projeção do Focus indica a taxa no fim de 2027, não a média do ano. O custo da dívida ao longo de 2027 depende de quando o Copom cortar e de quanto.

O que pode mudar a projeção da Selic?

O Copom diz que os riscos para a inflação estão acima do usual, com assimetria para cima. No texto, os principais riscos de alta são:

  • expectativas de inflação que se afastam da meta por mais tempo;
  • inflação de serviços mais forte do que a projetada;
  • câmbio persistentemente mais depreciado;
  • estímulos ao consumo que levem a economia a crescer acima do potencial.

Entre os riscos de baixa, o comitê cita uma desaceleração da atividade doméstica mais forte que a projetada, uma desaceleração global maior e a queda dos preços das commodities. O comunicado de 4 de novembro não indica o que o Copom fará nas próximas reuniões.

Erros comuns

  • Tratar a mediana do Focus como promessa: ela é a projeção do mercado e muda toda semana.
  • Comparar a Selic de fim de ano com a taxa média do ano ao planejar o custo da dívida.
  • Confundir a Selic com a taxa do empréstimo: o spread do banco e o prazo mudam o custo final.
  • Adiar a renegociação esperando um corte sem fazer a conta com o contrato na mão.

O que fazer agora

  • Separe os contratos de crédito pós-fixados e anote o indexador e o spread de cada um.
  • Refaça o custo anual de cada dívida com a Selic de 13,75% e com a projeção de 12,50%, como no exemplo acima.
  • Marque no calendário a reunião de 8 e 9 de dezembro de 2026 e as oito de 2027.
  • Acompanhe a cada semana a mediana do Focus na página Selic e Copom e as notícias da editoria Mercado e Economia.

Fontes

Compartilhe

Histórico desta página

05/11/2026 13:52
Publicação.
Foto de Marcelo Freitas

Marcelo Freitas

Marcelo Freitas é entusiasta da tecnologia, fundador da agência SAL Estratégias de Marketing e trabalha com marketing e tecnologia há mais de 10 anos.

Leia também

Newsletter do FintechNode

O resumo do que o portal publicou, com o link para cada texto.